Dicas e livros para quem deseja trabalhar com ilustração, por Alexandre Bar

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Em nossa última entrevista do ano, conversamos com o Alexandre Barbosa, o Bar, que é ilustrador, artista 3D e professor universitário. Foi, inclusive, meu professor há mais de uma década e hoje ele vai poder passar um pouquinho dessa grande experiência para você também.

Dessa vez não foi possível realizar a entrevista por vídeo, mas se inscreva em nosso canal do Youtube para ver outras entrevistas e dicas que estão por lá.

Nessa conversa, o Bar trouxe bastante coisa legal, como dicas, livros de referência e também um projeto especial que você também vai poder participar, então leia até o final!

Dicas para trabalhar com ilustração

O Bar separou para a gente cinco dicas que vão ajudar muito quem está iniciando os trabalhos em ilustração. Foram coisas que ele aprendeu e absorveu em sua vida profissional durante todos seus anos de experiência, sendo então extremamente valiosas para qualquer momento que você esteja na sua jornada:

1. Ser observador

Se não formos observadores, muitas vezes podemos olhar, mas não ver. Ou seja, não absorvemos aquela informação visual como deveria. E quando for necessário buscar em nossa mente aquela referência visual, não conseguimos.

Certas coisas, você não vai ter uma referência na hora, você tem que ter aquela imagem na sua cabeça. E a partir dessa imagem, você vai construindo outras coisas…

Você tem que olhar para as pessoas, olhar para as coisas e prestar atenção mesmo. Incorporar aquilo na sua memória.

E esse é o primeiro exercício e acho que é o mais difícil de todos, porque o resto é consequência disso.

Desenhar não é mágica, dom ou qualquer outra questão mística, é um exercício, que quanto mais fizermos, melhor e mais fácil vai se tornando.

Se você for na pré-escola, todo mundo faz aquele boneco de palitinho, a casinha, tudo igual. Mas com o passar do tempo, as crianças vão mudando, porque o olho vai aprendendo a enxergar, vai vendo as coisas e guardando na memória.

Então, as crianças que normalmente desenham bem são muito observadoras, elas veem os detalhes.

2. Sempre tenha lápis e papel por perto

Treinar o desenho precisa ser algo constante, tem que fazer todos os dias. Sempre que possível, desenhe. Essa é a única maneira de condicionar seus músculos a desenhar.

Muitas vezes precisa torcer o pulso, puxar uma linha mais longa, fazer várias vezes o mesmo traço, então precisa exercitar sua mão. Isso é físico também.

É a memória muscular… Você tem que fazer com que seu braço, sua mão, se acostume com o movimento.

O lápis e o papel precisam ser seus primeiros instrumentos e de uso contínuo, já que são mais fáceis de carregar e começar a utilizar. Mas depois, nada impede de ir experimentando outras ferramentas, como carvão, pincel.

Cada material que você utiliza, vai ampliando seu horizonte, te dando novas possibilidades.

3. Pesquise muito

Não importa quanto você acha que sabe, sempre tem que estar pesquisando… Porque você conhecer outras coisas, te abre novas possibilidades.

A pesquisa permite que você comece a identificar referências e crie relações entre estilos, traços e outras características de cada artista. Tanto para entender melhor como o resultado daquele trabalho foi alcançado, como também para ajudar a criar o seu próprio estilo.

E a busca de referências é algo que sempre esteve presente na história da arte, em todas as épocas e escolas. Por isso, colecione prints, páginas favoritadas e crie catálogos de seus artistas preferidos.

4. Não existe uma obra final

Você nunca pode considerar que uma obra sua será a melhor que você pode fazer, já que a ideia é que sempre estamos em processo de evolução, e criar esse teto só vai te prejudicar.

Você tem que colocar na cabeça que a obra nunca acabou, a obra não é definitiva. Se você colocar a cabeça que é uma obra definitiva, você não consegue partir para uma nova.

A gente sempre tem que pensar que a próxima obra será melhor que a anterior.

A gente só consegue ver o que errava e o que está acertando, a partir da tentativa e erro. Tem que continuar fazendo para ter uma resposta nova.

5. Não tenha vergonha de mostrar o seu trabalho

Quando criamos algo como um desenho ou escultura, estamos na verdade nos comunicando com o mundo, independentemente para quantas pessoas aquela mensagem precisa chegar, é uma forma de comunicação.

Aquilo que você fez representa tudo o que você pensa naquele momento. Então, você não deve deixar guardado.

Quando não mostramos os nossos trabalhos, estamos escondendo uma mensagem, e sem comunicação, a sua própria confiança vai indo embora.

E receber críticas nesse processo é algo extremamente importante. Mas um ponto importante aqui é que apenas as críticas construtivas devem ser levadas em consideração. Por isso, ignore os haters aleatórios e sem conteúdo que não contribuem com a sua evolução.

Todo filme é bom, desde que atinja o seu objetivo (Rubens Ewald Filho)

E o mais legal é que essas dicas não servem só para o desenho/ilustração, mas para todos os tipos de trabalhos que envolvam imagem.

Livros de referência

Antes de qualquer livro de referência, ter sempre um sketchbook por perto é algo essencial, que como o Bar mencionou na primeira dica, vai te ajudar a sempre poder praticar, em qualquer lugar e momento.

E indo para os livros, as indicações foram ótimas, tanto para livros nacionais como internacionais. Mas começando pelos nacionais, ele comentou sobre os diversos livros do Mozart Couto, premiado ilustrador e quadrinista brasileiro, que conta com importantes publicações como essas a seguir:

Como Desenhar Arte Fantástica

Clique aqui ou na imagem para conferir.

Curso Técnico de Desenho

Clique aqui ou na imagem para conferir.

Outros ótimos autores e artistas brasileiro também são o Eugenio Colonnese e Roger Cruz, que contam com diversas publicações, tanto ficcionais como didáticas.

Entre os autores internacionais, a primeira recomendação foi do Burne Hogarth, que já comentamos também nesse outro artigo, que conta com diversos livros didáticos para quem quer aprender e/ou aperfeiçoar o desenho, como os exemplos abaixo:

Drawing the Human Head

Clique aqui ou na imagem para conferir.

Dynamic Anatomy: Revised and Expanded Edition

Clique aqui ou na imagem para conferir.

Dynamic Light and Shade

Clique aqui ou na imagem para conferir.

E o último autor que o Bar recomendou, foi o Frank Frazetta, considerado um dos maiores mestres da indústria da fantasia, servindo de referência para diversas grandes obras dessa categoria. Ficou também muito conhecido por ilustrar capas de discos de bandas de rock.

Claro que são apenas alguns exemplos de grandes autores que temos por aí, mas existem vários outros que você pode se inspirar e guardar as referências, lembrando sempre dos pilares da ilustração, como perspectiva, anatomia, luz e sombra e composição, que em todos esses livros serão bem abordados.

Projeto Dragões do Bar

E para finalizar essa conversa, o Bar nos apresentou seu projeto relacionado a dragões, que você pode conferir no Catarse.

Para quem gosta de fantasia e desenho, é um prato cheio, porque contribuindo com o projeto, você pode ter desde um dos desenhos exclusivos, como também um incrível Sketchbook digital ou impresso, com todas as ilustrações de diferentes tipos de dragões.

E se quiser um Sketchbook artesanal para os seus desenhos também, você pode contribuir e receber um desse, com estilos de capa diferentes que poderá escolher.

Além de tudo isso, os maiores prêmios também incluem uma estatueta de um dos dragões, impressa em impressora 3D e pintada a mão.

É isso aí, tenho certeza que você pôde aprender muito também com essas dicas e aprenderá ainda mais com os livros recomendados.

Não deixe de conferir e apoiar esse incrível projeto e conheça mais do trabalho do Bar no seu Instagram.

Até a próxima!

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Este artigo foi escrito por:
Picture of Julian Nunes
Julian Nunes

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