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7 dicas para capturar as melhores fotos dentro de casa

Quem gosta/estuda sobre fotografia já deve ter ouvido falar de alguns termos como “fotografia indoor” (fotos em ambientes internos) e “fotografia lifestyle” (estilo de imagem normalmente mais natural e espontâneo). E são dois estilos que conversam muito quando juntos, principalmente com fotos em família, já que o ambiente doméstico é, normalmente, o local mais espontâneo para representar esses laços familiares.

Por isso, essa tem sido uma escolha que vem crescendo muito entre os fotógrafos que gostam de criar imagens mais espontâneas, buscando a essência tanto do ambiente como dos personagens capturados.

Sendo assim, separamos sete dicas de como aproveitar melhor o ambiente da sua casa ou da casa do seu cliente para poder tirar o máximo proveito de elementos como o cenário e iluminação dentro de casa. Confira:

Estude a iluminação natural para cada horário

Se o lugar que irá capturar suas fotos for na sua própria casa, você já deve ter percebido os momentos em que a luz costuma ficar mais interessante, seja pela intensidade ou cor (como a bela iluminação do pôr do sol). Isso é diretamente relacionado à face em que suas janelas estão apontadas (Norte, Sul, Leste ou Oeste), tendo maior iluminação em determinados momentos do dia.

Caso não seja sua residência, pergunte ou descubra de alguma maneira, antes, a direção que as janelas estão, assim poderá marcar o melhor horário para seu ensaio.

Apesar de imaginar que o momento que a luz estiver entrando diretamente seja o melhor, isso não é uma regra. Já que uma luz direta irá resultar em sombras mais duras e mais silhuetas. Se isso for seu objetivo, ótimo, já sabe que o momento para criar essas imagens mais fortes é quando o sol estiver entrando no ambiente. Mas se sua intenção é captar imagens com sombras mais suaves, procure momentos que a incidência não esteja tão direta.

Se a luz estiver muito forte, uma cortina poderá ajudar, mas se estiver muito fraca, aí o resultado será bem prejudicado.

Sem flash

O flash é um ótimo recurso, quando bem utilizado. Principalmente para espaços amplos, algo que nem sempre é uma realidade dentro da maioria das residências.

O problema do flash é sua luz direta, mesmo que apontado para outras direções, causando uma sombra pouco realista. Isso em fotos de estúdio é contornado e bem aproveitado com o uso de mais de uma fonte de luz, mas aí já perde a ideia do lifestyle e suas fotos mais naturais.

Por isso o melhor aproveitamento da luz natural é a opção mais indicada.

Escolha de lentes

Como comentei nos itens anteriores, a iluminação em um ambiente interno é muitas vezes prejudicada, mesmo a luz natural sendo ótima para fotos mais espontâneas, como nosso objetivo com essas técnicas.

Lembram dos primeiros artigos que falamos sobre dicas de fotografia? Entre eles comentei sobre a importância da abertura para um efeito de profundidade bem legal, como controlar e aproveitar melhor a iluminação, entre outros assuntos.

Essas brincadeiras com abertura só são possíveis quando temos uma maior flexibilidade da mesma, como por exemplo lentes que tenham o diafragma de 2.8, 1.8 ou maiores (lembrando que quanto menor o número, maior a abertura).

Isso não só vai permitir muito mais luz entrando na sua imagem, como focar só no que interessa, além de evitar ruído (já que poderá trabalhar com ISO menor) e menos desfoques de movimento indesejados (pois a velocidade não será tão exigida, podendo deixar valores mais “ágeis” sem prejudicar a exposição).

As lentes fixas, como a 24, 28, 35, 50 ou 85mm são escolhas prováveis para fotos internas, sendo muitas lentes primes (grande qualidade) e com um custo menor que uma 24-70mm 2.8, por exemplo, apesar de ser também extremamente útil pela versatilidade nesses ambientes.

Gosto muito da minha 28mm para ensaios internos, permitindo que o cenário também faça parte da foto e não preciso me afastar muito do objeto.

Composição é a essência

Como comentado, o cenário é extremamente importante, já que estamos fotografando um local que muitas vezes é parte direta da vida da pessoa (ou sua). A decoração desse ambiente diz muito sobre quem está sendo fotografado, então a composição precisa privilegiar detalhes do lugar.

O cuidado com o plano de fundo é essencial, principalmente considerando que pela proximidade da câmera com o objeto e a utilização de lentes com abertura maior, o fundo pode ficar mais ou menos desfocado (veja mais sobre isso no artigo sobre profundidade de campo).

Por isso não podemos ignorar o que está atrás, sem saber se estará nítido ou não. Seu posicionamento e preocupação com o que estiver dentro do quadro é o que vai diferenciar de uma foto mais ou menos poluída visualmente, entre outras características.

Evite o modo automático

Capturar imagens em ambientes internos, muitas vezes significa levar sua câmera ao limite, já que é incomparável a luz que conseguimos aproveitar quando estamos em uma área aberta.

Falarei um pouco mais sobre isso no próximo item, mas reforço já como é importante saber os limites da câmera, em termos de velocidade, abertura e ISO. Sabendo isso, ter o controle manual da sua câmera é o melhor cenário, já que assim você pode criar a SUA imagem e não a imagem que o sensor julga estar equilibrada.

Quer capturar uma silhueta em vez de “estourar” a luz que vem da janela? Quer congelar um movimento (ou deixar o rastro dele)? Você que manda. Assim você poderá criar também o seu estilo.

Cuidados com o ISO

Quando aumentamos o ISO, estamos fazendo com que o sensor fique mais sensível a luz do ambiente, causando um pouco mais de ruído na imagem. Câmeras mais simples tem um alcance menor de ISO, gerando mais granulação.

Câmeras de entrada, como a série Rebel da Canon e D3000/5000 da Nikon são ótimas em vários aspectos, mas pecam em quanto conseguem segurar no ISO. Apesar de prometerem números altos, como 6400 (quanto maior, mais clara fica a imagem), é comum a granulação começar a ficar bem perceptível a partir de 800.

Mas aqui é uma questão pessoal, pois dependendo de quanto ruído tiver na imagem, podemos trata-la facilmente no Photoshop ou Lightroom, principalmente quando fotografamos em RAW.

Pessoalmente, prefiro manter o ISO como sendo meu ajuste nas situações em que a exposição precisar ser corrigida de maneira rápida do que regular os outros dois recursos (abertura e velocidade), já que a regulagem do ISO interfere apenas na iluminação, não alterando tanto a composição. Já a abertura altera totalmente a profundidade de campo e a velocidade pode causar desfoques indesejados.

Por isso, um pouco de ruído, às vezes, é melhor e mais fácil de contornar do que perder um momento chave. Só não abuse e conheça os limites da sua câmera.

Divirta-se e use a criatividade

Agora lembre-se do motivo de fotos no estilo lifestyle serem muitas vezes mais interessantes: elas são divertidas e espontâneas! E não precisamos de muito pra isso, basta o que estiver no local, a luz natural e sua criatividade.

Tente capturar momentos que são feitos na rotina do cliente ou no seu dia a dia e veja como esse tempo em casa (principalmente se você estiver lendo esse artigo durante a quarentena) não precisa ser pesado, mas pode sim ser divertido.

Esteja sempre com a câmera pronta para pegar as situações mais inusitadas e divertidas, deixe as coisas rolarem naturalmente, como jogos e conversas.

Melhorar suas habilidades para fotografar dentro de casa é um desafio mas é também muito divertido e pode aprimorar muito suas habilidade como fotógrafo no geral e enxergar as composições de outra maneira.

Se gostou das imagens desse artigo e gostaria de mais ideias para fotografar dentro de casa, confira o excelente acervo de fotografias da iStock, que mais uma vez nos ajudou a desenvolver esse material para você!

Até a próxima!

Escrito por Julian Nunes

Designer e professor nas áreas de computação e editoração gráfica e também apaixonado por cinema, animação, motion e flertando com fotografia.

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