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4 dicas para tirar fotografias aproveitando os desfoques

Nós vimos no artigo anterior que o uso dos recursos manuais e semiautomáticos da câmera podem te dar uma liberdade que o modo automático dificilmente seria capaz.

Além de que, boa parte da graça de tirar boas fotos é você criar sua narrativa através da imagem, e assim como fazemos em um roteiro, precisamos planejar como executar essa imagem.

Por exemplo, na foto de capa desse artigo fica claro que uma das faixas do tráfego estava com mais trânsito que a outra, mas o modo que a captura foi configurada, gerou uma sensação de que os dois lados do trânsito estavam fluindo, coisa que não seria possível se você optasse por congelar a cena, deixando os carros totalmente nítidos.

Se a fotografia congelasse totalmente aquele momento, a mesma imagem ia contar que na verdade o trânsito estava totalmente parado. Aí está a importância de querer contar uma história pela imagem.

Nesse artigo vamos reforçar mais um pouco as regras básicas da fotografia a partir dos 3 pilares já mencionados no primeiro artigo dessa série, mas com o foco (literalmente) nos momentos em que teremos bons resultados optando por desfocar partes da imagem ou a cena toda.

Iremos explorar a seguir 4 situações onde tanto o uso da abertura, como do tempo de exposição do obturador (velocidade), tiveram que ser bem pensados antes de simplesmente apertar o botão de captura:

Acionar a câmera pelo timer ou controle remoto

A primeira dica para capturar imagens em movimento vai ajudar com as 3 seguintes: utilize, sempre que possível, um controle remoto para fotografar esse tipo de cena ou, pelo menos, use o timer, recurso presente em qualquer câmera, que é o temporizador (normalmente de 2 ou 5 segundos antes da foto ser capturada).

Isso é essencial já que, ao apertar o botão diretamente na câmera, sempre vai acontecer um certo movimento, mesmo que mínimo. Esse movimento pode ser o suficiente para sua foto tremer um pouco, gerando desfoques que você não gostaria.

Se não haver a possibilidade de ter um controle disparador remoto, seja por incompatibilidade da câmera ou de momento, use o temporizador em 2 segundos e veja a diferença na nitidez dos objetos que estiver fotografando.

No exemplo dessa dica está retratado uma imagem em que apenas as luzes dos carros ficaram com o desfoque de movimento, gerando um tipo de light painting (técnica muito divertida e que sugiro que experimente).

Se a câmera não estiver em um apoio (preferencialmente um tripé) muito bem fixo e se o fotógrafo não utilizar o timer ou o controle remoto, só a vibração causada pela mão iria gerar um desfoque não agradável no plano de fundo, estragando a paisagem.

Câmera e objeto parados, cena em movimento

Seguindo na ideia anterior, mas agora quando tudo está em movimento e o seu personagem ou objeto não, é uma ótima oportunidade para que você explore maiores durações do tempo de exposição, ou seja, uma velocidade menor, como algo em torno de 1s.

Na foto de exemplo o personagem provavelmente foi instruído para parar no meio da faixa e ficar completamente estático (como uma estátua!). Só assim é possível que ele, e apenas ele, fique nítido na imagem, enquanto que o restante das pessoas ao seu redor aparecessem apenas como um rastro.

Essa é uma boa técnica inclusive para fotos em ambientes públicos, onde o fotógrafo não tem autorização para utilizar a imagem das outras pessoas.

Câmera e objeto em movimento, cena estática

Criar um movimento proposital para gerar dinâmica da foto, como no exemplo dessa dica exige treino e intuição ao mesmo tempo. Pois aqui para você conseguir congelar o objeto que está se movimentando, diferente do fundo estático, você deve acompanhar o personagem na mesma velocidade dele.

Câmera na mão ou em um tripé (preferencialmente nesse último), faça um movimento de “pan”, ou seja, gire a câmera horizontalmente no próprio eixo (pan e tilt são movimentos do vídeo, que podemos abordar futuramente). O segredo aqui é que esse giro seja feito de maneira constante, sem começar rápido e terminar devagar, por exemplo.

Por isso, essa técnica exige muita experimentação e paciência, até que acerte a velocidade do objeto, mesmo que tenha que refazer a cena várias vezes.

A velocidade aqui não precisa ser tão baixa quanto às das duas dicas anteriores. Algo em torno de 1/30 a 1/15 já pode gerar imagens bem interessantes, dependendo da velocidade do objeto que estiver capturando.

Como fazer o efeito Bokeh

Efeitos de desfoque não são gerados apenas pela velocidade. Outro grande responsável por efeitos assim é a abertura, como vimos nos artigos anteriores.

Para não ficar repetitivo com os outros exemplos já apresentados, deixei aqui um efeito muito querido pelos fotógrafos, o bokeh.

O termo Bokeh vem do japonês boke (ボケ), que significa desfocado e deve ser pronunciado como se estivesse falando “bouque“.

A técnica tem um nome estranho, mas sua aplicação é relativamente simples, demandando mais da lente em si, sendo necessário uma com uma grande abertura de diafragma. Dificilmente você conseguirá fazer efeitos bokeh bonitos como no exemplo acima se utilizar uma lente com abertura menor que 2.8. Então, lentes f/2, f/1.8 ou f/1.4 (sonho de consumo de muitos) são ótimas para dar esse efeito.

A prática aqui entra novamente em questão, já que quanto maior a abertura, mais cuidado você deve ter com a área que estiver focando, já que a lente irá ter um espaço pequeno de área nítida.

Mas, se sua lente não possibilitar esses valores de abertura, quer dizer que não poderá fazer fotos com fundo em bokeh?

Pode sim. Mesmo com uma lente padrão do kit da câmera você tem a possibilidade de tirar fotos com esse efeito. O que deve se atentar é com a distância que está do objeto e também a distância do objeto para o fundo.

Se o seu propósito é que o fundo fique desfocado, mesmo com lentes de abertura não muito ampla, chegue mais perto do personagem/objeto e deixe-o com uma distância maior do fundo. Quanto maior essa diferença, mais desfoque terá.

É importante, e reforço aqui, a necessidade do objeto estar mais próximo da câmera, assim você vai criar um destaque bem maior do fundo.

Conclusão

As possibilidades são gigantes, já que aqui estamos falando de conceitos básicos ainda e como você pode explora-los. Por isso experimente, pratique e arrisque, porque às vezes o que poderia parecer um erro na hora de tirar a foto (como um possível desfoque), pode virar um efeito bem legal na sua história.

Assim como nos anteriores, a iStock disponibilizou as ótimas imagens para a realização desse artigo. Faça o cadastro nesse link e confira a grande biblioteca para que você também possa utilizar em seus projetos.

Até a próxima!

Escrito por Julian Nunes

Designer e professor nas áreas de computação e editoração gráfica e também apaixonado por cinema, animação, motion e flertando com fotografia.

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