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Para que serve e como utilizar o histograma na hora de tirar uma foto

Dando sequência a nossa série de dicas de fotografia, quero apresentar mais uma dica prática e técnica: o que é e como utilizar o histograma na câmera.

O histograma é uma ferramenta muito útil e que nos ajuda a encontrar o equilíbrio perfeito entre luz e sombra na nossa imagem, quando esse for o objetivo.

Falando nisso, será que sempre é necessário que nossa imagem tenha a iluminação balanceada de modo que todas as partes da foto sejam visíveis e nítidas? Nem sempre!

Assim como vimos no artigo anterior, em que por vezes o desfoque é uma questão de estilo a ser adotada conforme o seu objetivo, deixar imagens propositalmente subexpostas ou superexpostas também pode ser uma escolha estética.

Para representar isso, separamos algumas imagens para mostrar os 3 tipos de exposições demonstradas pelo histograma quando ele for utilizado.

Mas antes disso…

O que é um histograma?

O histograma é um recurso em forma de gráfico que se divide normalmente na horizontal, onde vemos em sua extensão X (horizontal) valores de 0 a 255, que representam os tons, do preto ao branco. Quanto mais próximo da esquerda, representado pelo valor 0, mais tons escuros (sombras) você terá na imagem. Consequentemente, quanto mais próximo o seu gráfico estiver da direita, 255, mais áreas claras (realces) estão sendo visualizadas.

Quanto mais alto o gráfico estiver em determinado tom, mais ele está presente. Isso quer dizer que se você tiver uma predominância do gráfico no meio, formando algo como uma montanha, quer dizer que você tem uma imagem em que nem as sombras, nem os realces estão mais fortes que os tons médios.

Qual é a vantagem, em termos gerais, de seu histograma estar sempre mais concentrado em áreas centrais? É porque lá é que estão os detalhes, tons de pele e a maior parte das cores que observamos.

Na imagem acima, assim como a da capa, fica bem claro os 3 tipos básicos de exposição que podemos visualizar com esse gráfico.

Superexposição

Fotos superexpostas são imagens resultadas de um excesso de iluminação na hora da captura, seja por um flash muito forte, uma abertura grande, velocidade baixa ou ISO alto (se tem dúvidas sobre esses 3 últimos conceitos, veja nossa primeira dica dessa série). Como tudo isso é controlado, faça um novo teste com outras configurações.

No histograma nós podemos verificar que a imagem está “estourando os brancos” quando uma grande parte do gráfico estiver concentrada à direita, principalmente se você perceber que o final do gráfico está fazendo uma linha reta na vertical (você pode verificar esse exemplo na imagem do item anterior, onde diz “overexposure“).

Na imagem que representa esse item podemos verificar um excesso de branco, mas o problema aqui não é que simplesmente a imagem ficou muito clara, mas conforme você tem um excesso de tons claros e o famoso branco estourado na imagem, normalmente as áreas mais claras começam a perder os detalhes, como as marcas da idade no rosto da senhora dessa imagem.

Pode ter sido proposital? Talvez. Conforme o contexto pode ser necessário criar imagens superexpostas para contar uma história de uma possível superação, conquista, esperança, entre tantas outras ideias.

Mas, se não for proposital, o que fazer?

No caso dessa imagem, como não há um fundo a ser desfocado, podemos diminuir a abertura, fazendo com que menos luz entre no sensor e até facilitando o foco. Poderíamos também simplesmente diminuir o ISO, mas às vezes ele já está no mínimo. E também podemos aumentar a velocidade, fazendo também que a luz tenha menos tempo para ser capturada.

Subexposição

Imagens subexpostas são o contrário das superexpostas, isso quer dizer que elas são basicamente escuras. Mas não somente escuras, elas tem áreas onde você encontra a cor preta.

Qual é o problema de ver a cor preta nas imagens? A questão é que devido a luz, dificilmente nós vemos algo realmente preto nos ambientes. Quando digo “realmente preto”, é o RGB no 0,0,0! Então aqui vai a primeira questão: isso gera uma imagem que não é totalmente real aos nossos olhos.

No histograma, o preto é representado quando o gráfico se concentra na lateral esquerda, formando uma linha vertical nesse lado, “achatando” os tons próximos a ele. Isso causa também outro problema: a diminuição de tons médios, justamente onde mais vemos detalhes e texturas.

Novamente, é sempre um erro? Não… Muitas vezes o fotógrafo quer criar uma imagem propositalmente subexposta para criar uma atmosfera mais tensa ou noturna, por exemplo.

Mas como fizemos na última imagem, caso não tenha sido a ideia, como tirar uma nova foto com a exposição correta?

Nesse caso, como temos uma foto com movimento (principalmente o rabo e patas do cachorro) não podemos deixar a velocidade muito baixa, que com certeza ajudaria na entrada de luz. Talvez então uma velocidade 1/60 já ajude, assim como uma abertura de 3.5, já que aberturas maiores que essa iriam dificultar o foco dos dois personagens. E por último, e mais simples de ajustar, aumentaríamos o ISO até o necessário para alcançar a iluminação ideal.

Claro que tudo isso depende muito da iluminação real da cena, são apenas estimativas.

Exposição perfeita

Como já vimos, uma imagem subexposta faz o gráfico se concentrar na lateral esquerda e uma superexposta faz o mesmo se concentrar no lado direito, criando imagens com muitas áreas escuras ou claras demais e praticamente irrecuperáveis na edição. Uma exposição ideal é justamente um meio termo, onde você tem uma quantidade significativa do gráfico sinalizando na parte central.

Aqui deixo uma observação sobre o histograma em si, independente da exposição. Essa ferramenta “só” serve para visualizarmos a intensidade dos tons na imagem como um todo, não representa cada parte da imagem de maneira geográfica. Ou seja, se você estiver vendo uma área mais elevada no meio do histograma, isso NÃO quer dizer que o meio da sua imagem tem mais tons médios, mas sim que sua imagem como um todo tem mais tons médios que realces ou sombras.

Exposição perfeita, então, significa que você tem um equilíbrio entre áreas de realces e sombras, pontos brancos e pretos. Visualmente falando quer dizer que as áreas mais escuras e claras estão bem definidas e é possível ver detalhes nítidos nelas e não áreas simplesmente pretas ou simplesmente brancas.

No histograma essa situação é muitas vezes simbolizada com um gráfico no formato de montanha, mas não só.

Quando você vê o formato de um pico/montanha, quer dizer que há uma maior concentração de tons médios na imagem, gerando uma foto mais neutra, possivelmente até com um contraste reduzido.

Se a ideia é ter uma imagem equilibrada mas com um contraste mais acentuado, um gráfico no formato de “U” talvez seja mais interessante, tendo áreas preenchidas no meio do gráfico, mas com as pontas tanto esquerda quanto a da direita ficando um pouco mais altas que a área dos tons médios.

Esse formato em “U” gera uma imagem com um contraste maior pois você está acentuando tanto as áreas claras quanto as escuras.

Para melhor aproveitamento dessa técnica, eu sugiro que tire fotos mais neutras (histograma parecido com uma montanha) para que você tenha a flexibilidade de edita-la no Photoshop ou Lightroom depois e possa deixa-la com mais ou menos contraste.

Os “blinkies” da câmera estão lá para ajudar

Talvez você tenha tirado uma foto e manchas brancas ou pretas começaram a piscar no visor da sua câmera. Esse recurso indica justamente que existem áreas que você acabou deixando superexpostas ou subexpostas.

Se não puder tirar outra foto com exposição correta, tente amenizar isso na pós-produção, mas como vimos, o ideal é sempre tirar uma foto já na configuração correta para ter mais possibilidade de edição, assim como um resultado muito melhor.

Agora é hora de praticar! Teste o histograma em sua câmera e veja o que seus olhos muitas vezes não enxergam facilmente, deixando que o sensor da câmera faça esse trabalho pra você.

As fotos de exemplo foram cedidas pela iStock que tem nos ajudado a passar essas dicas de fotografia pra vocês.

E muito mais está por vir. Então, até a próxima!

Escrito por Julian Nunes

Designer e professor nas áreas de computação e editoração gráfica e também apaixonado por cinema, animação, motion e flertando com fotografia.

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