Dois ilustradores contam como lançaram suas carreiras artísticas

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Seguir a carreira de ilustrador freelancer pode ser um grande desafio, por isso sempre é bom ouvir dicas e a experiência quem já chegou lá.

Conversamos com dois excelentes ilustradores, cada um com seu estilo: a Luli Reis, especializada em ilustrações em aquarela com temas naturais e Mauro Martins, que se especializou em Doodle Art.

Ao entrar no perfil de Luli Reis no Instagram você se sente em um jardim. São folhagens de todos os tipos, plantas coloridas, flores exóticas, frutas e pássaros. Luli é uma artista especializada em aquarela botânica, um nicho que tem grande destaque no mundo da moda e no universo do design de embalagens.

“Eu sempre fui muito ligada a arte e sempre fui apaixonada pela natureza e esse casamento entre essas duas paixões acabou sendo super natural pra mim.”

Essa paixão pela natureza esteve presente desde sua infância. Mas, em vez de seguir carreira como ilustradora, Luli fez faculdade de nutrição e deixou seu lado criativo em segundo plano.

“Conforme eu fui crescendo, fui me afastando cada vez mais desse mundo da criação. Talvez por medo, por “artista” não ser uma profissão “convencional”.

A história se repete na trajetória do ilustrador Mauro Martins. Ele conta:

“Eu ilustro como passatempo desde criança. Ainda na minha adolescência, comecei a me aventurar no estilo Doodles e nunca mais parei.”

Mauro seguiu inicialmente uma carreira não tão distante da ilustração. Se formou em Design e trabalhou em agências de publicidade no Brasil e nos Estados Unidos. Mas ele também sentia que faltava algo para encontrar a realização profissional.

“Trabalhei por 13 anos nesse mercado. Uma das minhas maiores conquistas nesse período foi conseguir um emprego em uma agência nos EUA que eu admirava muito. No entanto, depois de uns 2 anos por lá, eu me dei conta de que os mesmos conflitos que eu tinha com a atividade de criativo publicitário no Brasil, eu também tinha nos EUA. Ou seja, o problema não eram as agências pelas quais eu passei, e sim a minha afinidade com a atividade profissional em si. Não era para mim.”

Mesmo com sucesso no mercado publicitário, ele percebeu que alguma coisa faltava na carreira.

Você se identifica com as histórias da Luli e do Mauro? Seu sonho é investir em uma carreira criativa, mas o medo de mudança sempre fala mais alto?

Histórias assim são bem comuns no mercado criativo. Ilustradoras, fotógrafos, designers e outros tantos artistas levaram anos para entrar no mercado e abandonar suas profissões mais convencionais.

Os exemplos da Luli e do Mauro podem ser a inspiração que você precisava para investir na sua carreira criativa.

A vontade de mudar

Mauro percebeu que estava no caminho errado quando foi promovido.

“Mas gostar mesmo? Não, nunca fui realmente apaixonado pela área. E daí chegou um momento divisor de águas para mim no final de 2015: o meu chefe lá na CP+B veio conversar comigo dizendo que estava negociando a minha promoção para diretor de criação associado em breve. Uma notícia que era para ser muito boa, na verdade me causou pânico. Eu não queria mais responsabilidades. Não queria dirigir uma equipe. E se eu estava em uma carreira na qual eu não queria crescer, então o que exatamente eu estava fazendo ali?”

No caso da Luli Reis, a descoberta veio durante um passeio.

“Durante uma viagem de férias que fiz com a minha mãe pra Santiago do Chile, passamos em frente a um mural todo colorido, todo pintado, todo florido e eu fiquei congelada na frente dele, admirando. E foi quando minha mãe chegou perto de mim e disse que aquilo ali era a minha cara que virou uma chave dentro de mim e eu percebi que o meu lugar não era na nutrição.”

Foi naquele momento que ela entendeu que a sua paixão estava no papel e nas tintas. E assim começaram as transições de carreira desses dois ilustradores.

Da nutrição para a ilustração botânica, no caso da Luli Reis. E do universo publicitário para o divertido mundo dos doodles, no caso do Mauro Martins.

Transição para a carreira artística

Seria maravilhoso se a história terminasse super bem quando eles decidiram mudar de carreira. Mas o desafio desses artistas estava só começando.

Luli Reis conta: “Mudar de profissão foi horrível e sinceramente a decisão mais assustadora que eu tomei na minha vida“. Para o Mauro, “foi uma atitude difícil e que me trouxe muito medo e insegurança quanto ao meu futuro profissional.”

Se você já tomou uma decisão assim na sua carreira, sabe exatamente como eles se sentiram. O processo de mudança de profissão é bastante desafiador.

Casos assim são frequentes no mundo da ilustração. Muitas pessoas são apaixonadas pela arte e desfrutam de um talento incrível, mas deixam de seguir carreira nesta área por insegurança. Afinal de contas, profissões não tão convencionais podem passar uma ideia de instabilidade de carreira.

Mauro Martins e Luli Reis seguiram caminhos bem diferentes para vencer a transição de carreira. A estratégia de Luli foi começar por cursos. Ela conta:

“Li vários livros sobre a era digital, marca pessoal e pesquisei maneiras de trabalhar com arte. Nisso eu descobri a estamparia, e já tratei de me inscrever em vários cursos voltados pra isso.”

Através dos cursos ela montou uma rede de contatos e lançou sua marca nas redes sociais.

O Mauro arriscou com uma campanha viral, que deu super certo. Ele ficou 2 anos ilustrando um diário com tudo que acontecia na sua viagem nos Estados Unidos. Passeios, restaurantes, pessoas que ele conheceu, lugares que visitou… tudo entrou nessa mega ilustração.

“Quando voltei para o Brasil, perdido e ainda sem saber ao certo o que eu faria da minha vida profissional, dediquei um tempo para disparar o meu diário para revistas, jornais, blogs, influenciadores e qualquer outro meio que eu pudesse conseguir mídia espontânea. Mandei para mais de 100 veículos. Acabei conseguindo espaço em meios do mundo todo com bastante compartilhamentos.”

E não parou por aí. Ele continua:

“Então uma marca de óculos de Milão entrou em contato comigo depois de terem visto o meu diário e me convidou para assinar uma edição especial de óculos. Esse foi o momento em que a ilustração deixou de ser um passatempo para mim. Desde então, nunca mais parei de receber trabalhos do mundo todo. Nasceu então um novo Mauro. Agora, ilustrador autoral.”

Realização profissional e identidade

A jornada de ilustrador freelancer exige resiliência para lidar com a instabilidade de vendas, bom controle financeiro e muita dedicação para o relacionamento com os clientes.

Mauro revela que “no início dessa carreira de ilustrador autoral, os ganhos eram muito mais incertos e voláteis. E isso para quem vem de uma carreira de assalariado que sabe quanto ganharia no fim do mês, foi um transtorno.”

O reconhecimento por outros profissionais da área é um dos indicadores de sucesso na carreira. Foi assim com a Luli e o Mauro: quando a plataforma de cursos Domestika expandiu para o Brasil, ambos foram convidados para lançar seus cursos.

Conheci os dois ilustradores através desses cursos que fiz na Domestika. Tem até uma resenha do curso de ilustração vetorial com estilo doodles do Mauro Martins aqui no Designerd.

O bacana é que ambos criaram cursos com explicações passo a passo para quem quer investir na carreira de ilustração.

O Mauro compartilha no seu curso sobre doodles várias dicas para quem quer se lançar no mercado como ilustrador vetorial.

Já no seu curso de Aquarela Botânica, a Luli explica até como digitalizar as aquarelas para publicar nas redes sociais e compartilhar com clientes.

Foi muito interessante acompanhar a trajetória de carreira desses profissionais. São casos reais e bem recentes de pessoas que decidiram investir no seu potencial criativo, com um resultado muito positivo.

As histórias de Luli Reis e Mauro Martins são a confirmação de que é possível sim investir na sua carreira de ilustração, seja com vetores, aquarela ou o que preferir.

Dicas para quem quer seguir a carreira artística

Durante a entrevista, Luli Reis contou como a dedicação é fundamental para concluir bem a transição de carreira: “Acho que a maior dica que eu posso dar é – por mais clichê que possa parecer – não desistir. A vida de um profissional autônomo é bem incerta, e trabalhando com arte então, mais incerta ainda. Existem milhares de possibilidades, de técnicas diferentes, pintura, desenho, escultura, botânica, realismo, abstrato, retratos… os caminhos são infinitos e é por isso que precisamos de um foco. Além disso, é essencial estudar. Estudar a técnica, estudar os clientes, estudar outros artistas, estudar como é a melhor maneira de expressar o que queremos, como funciona a plataforma que usamos… tudo.”

Gostou e animou a investir na sua carreira criativa? Luli e Mauro compartilham mais algumas dicas para motivar a sua decisão!

Segundo Luli, é importante definir um bom nicho para montar seu portfólio.

“Eu amo o mundo da moda e das embalagens. Acho que são os meus dois ramos favoritos de trabalhar. Então eu acabei focando nesses nichos. Eu acredito que esse afunilamento acaba se tornando algo natural na vida de um ilustrador. Não acho que ser generalista seja algo ruim, mas acho que é mais vantajoso focar em alguns nichos específicos e crescer dentro deles.”

Mauro compartilha uma dica bem prática para o controle financeiro.

“Teve uma coisa que me ajudou bastante e que é mais psicológica: eu parei de pensar em ganhos mensais e passei a pensar em ganhos anuais. Ajudou muito porque acontecia de eu ficar 3 meses sem ganhar nada, por exemplo. E isso pode ser um gatilho para se pensar ‘Não deu certo. Preciso fazer outra coisa’. No entanto, acontece também de aparecerem trabalhos com boa remuneração que salvam alguns meses. Logo, no montante anual, as coisas não estavam tão preocupantes.”

Gostou da experiência desses dois ilustradores? Já passou (ou está passando) por algo parecido? Deixe seu comentário abaixo!

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Este artigo foi escrito por:
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Mario Troise

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