No momento em que cliente e profissional fecham um acordo de trabalho, paira no ar uma sensação de confiabilidade. O profissional confia que o cliente respeitará sua voz e honrará com seu acordo, lhe pagando a valor devido ao final de cada etapa do trabalho. O cliente confia que a experiência e habilidades técnicas do profissional trará excelentes resultados para o serviço que contratou. Mas e quando o cliente dá pouca importância à expertise do profissional, a ponto de impor suas próprias vontades, ignorando totalmente o outro lado?

Infelizmente essa última situação acontece – e muito – no ramo do design. Quem nunca teve um cliente que não gostava de ouvir sugestões, mas adorava mandar, mandar e mandar?

Para ilustrar de forma bem prática, seria como chamar o encanador à sua casa porque a pia do banheiro está vazando água e, ao vê-lo trabalhando, ficar dando ordens sobre como o serviço deve ser feito. Já imaginou a situação?

Quando um cliente, seja ele um profissional liberal ou representante de uma empresa, contrata um designer para, digamos, desenvolver um website, é preciso deixar claro ele está contratando muito mais do que um profissional que sabe desenhar layouts e escrever códigos.

Ele está contratando alguém com experiência na área, que entende certas coisas que alguém leigo não entenderia, que tem uma visão mais abrangente daquilo que funciona e daquilo que não funciona na internet. Em outras palavras, está contratando mais que um executor. Está contratando também um consultor.

Como se impor como um consultor

Lidar com clientes desse nível é uma tarefa árdua para qualquer profissional. Por isso é necessário o quanto antes deixar claro como será seu trabalho, se possível logo na primeira reunião.

Diga, com tato, que você tem a experiência necessária para desenvolver um serviço de qualidade, e que terá a liberdade para dizer a ele quando uma ideia é boa e quando uma ideia é péssima. Lembre-se que a sinceridade é uma grande aliada.

Exemplos de vezes que “contrariou” a vontade de um cliente para o bem do serviço como um todo e que o resultado foi satisfatório (onde o cliente de fato reconheceu isso) podem reforçar seus argumentos. Mas o bom profissional fala disso de forma simples e humilde, sem se colocar numa posição superior daquele que o contrata.

Se possível, saia da primeira reunião com a certeza de que seu cliente captou a mensagem. Isso lhe dará (pelo menos na teoria) a tranquilidade necessária para tocar o projeto para frente com mais liberdade.

Quando o cliente mesmo assim insiste em ideias absurdas

Por mais que você explique como o trabalho funciona, muitos ainda tentarão impor suas próprias ideias nos projetos. Você ouvirá frases como “coloca um fundo verde limão com letras em rosa-choque, vai ficar ótimo!” ou “quero o site da minha empresa redondo que fica pulando na tela, e toda vez que alguém clicar no logotipo, quero um som de explosão!“.

Clientes que insistem em ideias mirabolantes sem ouvirem a opinião de um especialista (no caso, você!) são uma fonte de dores de cabeça. São aqueles que só te contrataram porque você sabe usar uma ferramenta que eles não sabem usar. Somente por isso. Infelizmente, nesse caso, você acaba se tornando a ferramenta na mão deles.

O que fazer?

É claro que todo caso merece uma análise especial. Existem alguns clientes que, com alguns minutos de conversa franca, entenderão o ponto e cederão. Já em outros casos, será necessário um pouco mais de paciência da parte do profissional para encontrar uma solução racional.

Porém, seja qual for a situação, fica a dica do que NÃO fazer nessas situações: a vontade do cliente.

Acredite: muitos designers acabam cedendo à vontade de seus clientes simplesmente para terminarem logo o serviço e receberem seu belo dinheirinho. O resultado é um serviço que agrada o cliente mas ao mesmo tempo o prejudica, pois o profissional não prestou consultoria, apenas executou de acordo com as ordens recebidas.

Sendo assim, esteja preparado para argumentar com seu cliente sobre a melhor forma de executar um serviço. Lembre-se que um profissional da área de criação carrega uma enorme responsabilidade: a de prestar um serviço que trará benefícios reais ao seu cliente. Não suje suas mãos com trabalhos porcos, feitos somente para agradar aquele que te contratou. Seja firme, racional, negociador. Seja profissional.

Guilherme Dantas