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Um estudo sobre a nova marca da Xiaomi: o redesign fez sentido?

É fato o reboliço que o anúncio da nova marca da Xiaomi causou na internet devido a sua simplicidade e pouca expressividade e acima de tudo levando em consideração a alta quantia de dinheiro envolvida no projeto, deixando designers e leigos de cabelo em pé!

Mas será mesmo que o fato de a nova marca ter pouquíssimas alterações perceptíveis faz dela uma marca sem propósito?

Nas últimas semanas a empresa anunciou a sua mais nova marca e o projeto de redesign vinha sendo executado ao longo de 10 anos segundo o CEO Lei Jun.

O CEO também afirma que apesar da sutileza das mudanças, elas são mais do que meramente estéticas e vêm de encontro à uma nova fase que a empresa se encontra, expressando de forma gráfica alguns valores institucionais que a Xiaomi vem projetando.

Neste artigo quero abordar o assunto de forma mais técnica e propor um exercício de análise do novo logo, apontar as mudanças e tentar dialogar mais à fundo.

À primeira vista parece uma mudança pouco radical, e na realidade, é mesmo. Mas a verdade é que a nova forma mais arredondada e mais suave do logo já o traz diretamente para o ambiente digital se assemelhando mais a um ícone de aplicativo tornando sua marca menos agressiva e mais refinada e consequentemente mais acessível.

O processo utilizado para chegar nessa forma quase filosófica que fica entre um quadrado e um círculo foi muito interessante.

O designer japonês Kenya Hara partiu de um frame completamente redondo até um que se assemelhasse ao antigo logo, entre esses dois espectros ele pôde observar e comparar todas as variações e fazer os ajustes óticos necessários.

Iniciando minha análise partindo de um grid clássico do arquiteto Matieu Lauweriks pude descobrir algumas relações entre as formas que compõem a nova marca da Xiaomi como a curvatura das laterais do quadrado formadas por elipses que tem relação direta com a escala formada pelo círculo externo do grid de base.

A partir daí dá pra dizer que ficou fácil encontrar a relação entre o restante do logo. Os círculos que formam os cantos arredondados são um aspecto interessante também, seus vértices passam um pelo centro do outro reforçando ainda mais a ideia desse grid.

A partir da inclinação de 45º do quadrado que transcreve o logo é possível encontrar os pontos que delimitam a altura da tipografia dentro do frame e partindo desses mesmos pontos, traçando retas verticais conseguimos encontrar a relação entre as hastes verticais da tipografia com algumas correções óticas que pode ser conferido no esquema aqui em baixo.

E aí, continua achando a nova marca da Xiaomi simples?

A análise não termina por aqui. Com esse mesmo grid de construção do ícone a gente consegue facilmente ver a relação entre o símbolo e a tipografia na versão estendida da marca. Bacana né?

E aqui cabe uma fala sobre a tipografia. Foi feito um redesenho muito interessante mantendo o estilo tipográfico do antigo logo mas agora adicionando mais personalidade para a tipografia em que as curvas das letas “a, o, m” são baseadas na mesma curvatura do frame do logo. Esse novo desenho também remete à uma marca muito mais tecnológica mais uma vez reforçando os valores da empresa.

A verdade é que se colocadas uma ao lado da outra, é possível perceber toda a potência que a sutileza de um bom projeto de design pode trazer para uma marca fazendo que ela tenha mais alguns bons anos de funcionalidade no mercado e assim marcando uma nova fase na jornada da empresa.

Nota: Quero deixar bem claro que esse artigo não tem como finalidade desvendar os processos e as técnicas utilizadas pelo designer responsável pelo projeto até porque não tenho como afirmar com certeza se foi esse método utilizado por ele, e sim abrir um diálogo construtivo e fomentar um exercício criativo me apoiando em alguns fundamentos do design. Se foi coincidência ou não, talvez nunca saberemos, mas é um caminho.

Escrito por Hueller Figueredo

Designer gráfico com uma queda por projetos de embalagem. Apreciador de música, cinema e tatuagem. Guitarrista psicodélico na Mind’s Eye Band e Burning Machines