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Por dentro do processo de criação: Vinheta animada por Baboo Matsusaki


Você tem curiosidade em saber qual o processo de criação de uma vinheta animada?

Em mais um post da série Por dentro do processo de criação, conversamos com a artista digital Baboo Matsusaki, que contou pra nós os bastidores de um de seus projetos:

Anymotion

Gosto muito de trabalhar em equipe e nesse projeto não foi muito diferente, mesmo entre poucas pessoas, adoro discutir as ideias e chegar em um resultado que seria inviável caso eu quisesse fazer tudo sozinha.

Não só pela expertise que cada um tem, mas também pela visão, as vezes a gente fica muito acostumado com uma arte e não consegue mais enxergar onde ela pode melhorar, é ai que um novo olhar faz toda a diferença, ajudando sempre a elevar a qualidade da peça.

1- Referências

Para essa vinheta eu tive a grande chance de fazer algo mais livre; o Isac, que é um dos fundadores do evento me deixou criar sem muitas restrições.

Escolhi então uma estética parecida com a que ele já estava planejando fazer, porém adaptei para algo que eu já queria fazer faz um tempo, unindo assim as duas vontades.

A primeira arte dele tinha mais a ver com planetas e grandes escalas, algo que eu gosto muito, mas que eu queria juntar com ruínas, um pouco de cyberpunk, glitchs e animações mais contemplativas.

Mostrei para ele as referências que eu gostaria de seguir e ele amou a ideia, me deixando livre para criar o storytelling.

Arte inicial que o Isac apresentou:

Algumas das referências extras que separei:

2-  Criação 

A ideia da vinheta em si não é muito complexa, são pessoas sendo atraídas pela luz do evento, como outros seres que são atraídos pela luz no nosso ambiente real, porém não queria trazer nenhuma característica específica para essas pessoas, justamente por ser uma vinheta rápida, precisava ser abrangente.

Com isso veio a ideia de usar modelos humanoides, parecidos com manequins e que teriam uma textura mais parecida com o terreno. Algo que deu um ar bem mais lúdico e artístico para a vinheta.

Modelos básicos que compramos para usar:

3 – Storyboard

Aprovado esse storytelling, passei para o storyboard. Elaborei algo bem rapidamente para conseguir passar a ideia melhor. Foi apenas um rascunho usado como guia, algumas coisas foram mudadas no final, como por exemplo a retirada da cena dos personagens de frente em um plano mais aberto, sendo substituída por uma cena deles andando lateralmente. O estilo do óculos também foi mudado, achei que ficou mais legal um modelo mais redondo no 3D.

Storyboard:

4 – Início da produção no 3D

Criei alguns conceitos básicos para guiar o Tom, que é meu parceiro no 3D. Nós trabalhamos juntos há muitos anos e temos uma dinâmica muito boa.

O Tom trabalha incrivelmente bem com o Cinema4D, então não precisei passar nada muito detalhado para ele poder já começar a criar o ambiente.

Passei apenas algumas referências, concepts e o storyboard para que ele fosse criando, podendo obviamente mudar detalhes que ele achasse que faria mais sentido no 3D.

Primeiro teste de cenário:

5 – Animatic

Enquanto o Tom estava preparando os cenários e os modelos das cenas, fui montando um animatic (uma versão mais simples da animação) para termos uma noção do tempo do filme, se a quantidade de cenas que estávamos estabelecendo é realmente o suficiente e ter certeza que a história estava sendo bem contada.

Foi nesse momento que percebi que precisava eliminar a cena dos personagens de frente e trocar para eles de lado, para que a gente tivesse uma sensação de movimento maior e fizesse mais sentido com a cena final onde eles estão andando em direção ao logo. Faltava esse link e então o criei apenas mudando o angulo da câmera.

6 – Animações

Como disse no inicio, a ideia era fazer algo com uma animação mais simples, para isso eu conversei com um amigo meu de longa data, o Edmx, para saber se ele tinha algum walk cycle (uma série de quadros desenhados em seqüência que formam um loop, que serve para criar uma animação de um caractere de caminhada), para encaixar nos nossos modelos. Por sorte ele tinha e conseguiu dar uma ajuda pra esse momento.

O walk não era perfeito, mas era exatamente o que precisávamos para essa vinheta. Muitas vezes a gente tem que se adaptar aos recursos que temos e eu sabia desde o inicio desse projeto que não teria muito tempo para produzir uma animação muito rebuscada, então desde o início já projetei toda a vinheta com isso em mente.

7 – Final da produção do 3D

Depois de passar as animações pro Tom, ele deu os toques finais no render e deixamos renderizando por alguns dias nas nossas máquinas.

O projeto ficou pesado, cada frame demorava cerca de 10 minutos para renderizar. Pode não parecer tanto, mas ao todo ele tem 370 frames, ou seja, demorou cerca de 60 horas para a renderização total, isso apenas para o 3D. Depois vem a parte da composição no After Effects.

Essa é uma cena do render cru do 3D, em baixa, para visualização rápida:

8 – Composição

Até o momento, meu trabalho maior estava mais na criação e direção do projeto do que na produção, porém a minha especialidade é utilizada sempre no final, na hora da composição.

Depois de pegar o 3D do Cinema 4D, comecei esse processo, colocando profundidade de campo, céu, transições, glitchs, huds, glow, letreiros, aberração cromática, enfim, diversos pequenos detalhes que no final fazem toda a diferença.

Também foi feita uma nova correção de cor por cima das cores que vieram do 3D e ajustei levemente o tempo de algumas cenas para deixar a edição mais dinâmica.

Cena cru em alta do 3D:

Cena com a composição feita:

9 – Áudio e toques finais.

Com o filme montado, faltava o áudio. Falei com outro amigo meu, o Miguel, da Vinyl Produtora, para ver se ele me ajudava com o áudio.

Eu até consigo fazer alguma sonorização por conta, porém o trabalho do Miguel é espetacular e eu queria algo mais bem trabalhado para essa vinheta.

Ele topou entrar no projeto com a gente, fez uma mix maravilhosa e na sequência apresentei para o Isac, que amou o projeto e pediu pequenas mudanças, como deixar o letreiro fora da composição e trazer mais do roxo e do ciano e menos do preto, dois pontos super relevantes, pois se encaixava mais com a identidade do evento.

Cena final antes das alterações pedidas:

Cena final com as alterações pedidas:

10 – E assim chegamos ao resultado final!

Sobre a artista

Baboo Matsusaki tem mais de 15 anos de experiência na área de Direção de Arte e Motion Graphics. Nesse tempo, ela possui 7 anos de uma longa experiência com gerenciamento da sua própria empresa.

Além de ter muitos projetos na área de publicidade com trabalhos para clientes como Itaú, Coca-Cola, Ipiranga, Santander, Volkswagen, dentre muitos outros, também trabalha com conteúdo para TV, fazendo pacotes gráficos para canais como HBO, Globo, Nickelodeon, MTV.

Além disso, em seu portfólio, trabalhou em conteúdos para o cinema assinando peças como a abertura e o encerramento do filme “O Menino e o Mundo”, indicado ao Oscar 2016 como melhor longa de animação.

Escrito por Renato Souza

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