O CR-V sempre foi “o SUV sensato” da Honda, aquele que exala maturidade e elegância. Em 2017, quando avaliamos o modelo daquela geração, essa personalidade já era clara. Na nova geração, a marca manteve o DNA, mas agora com uma cara mais robusta, mais sofisticada e um pacote de tecnologia que finalmente faz sentido em 2026.
Nós testamos o modelo durante uma semana. Quer saber, ponto a ponto, o que dá pra esperar de design e tecnologia do novo Honda CR-V Advanced Hybrid?
Design externo: robusto, limpo e com cara de ‘carrão’
O novo CR-V entra num território visual mais “adulto”: postura mais plantada, leitura mais horizontal e um conjunto frontal que acerta no visual premium sem apelar pra firula.
É aquele tipo de design que não grita por atenção, mas te faz olhar duas vezes (ou mais).
Frente: grade que não é só enfeite
O detalhe nerd aqui é a grade com controle automático: as aletas (tipo “persianas”) abrem e fecham conforme a necessidade. Além do visual esportivo, isso é design com função, daqueles que você não nota de cara, mas entende quando percebe que o carro foi pensado pra ser eficiente e bem resolvido.
E tem mais: o para-choque dianteiro foi desenhado com foco aerodinâmico. As laterais ajudam a guiar o ar e reduzir a turbulência perto das rodas, melhorando o fluxo ao redor do carro. Resultado? Um visual mais limpo e técnico, sem aquela sensação de “para-choque genérico” feito só pra cumprir tabela.
Iluminação: assinatura moderna sem carnaval
O CR-V aposta em faróis full LED com DRL e lanternas traseiras em LED. Sim, hoje isso já virou o mínimo do mínimo, mas aqui o conjunto é bem resolvido: luz com cara de projeto, não com cara de enfeite.
Ajuda a dar identidade e, principalmente, deixa o carro com presença à noite.
Rodas e postura: aro 19 faz metade do trabalho
As rodas de liga leve aro 19” são um daqueles itens que resolvem presença sozinhos. Na semana em que fiquei com o carro, praticamente todo mundo que viu de perto soltou um “nossa, que rodona!”.
E faz todo sentido: o CR-V é um SUV de proporções grandes. Uma roda grande ajuda a equilibrar o conjunto e reforça a sensação de carro mais “assentado”.
Design Interior: minimalismo esperto e assinatura clássica
Se por fora o CR-V quer parecer mais premium, por dentro ele tenta provar. E aqui a estratégia é clara: menos bagunça visual, mais linhas horizontais e foco na experiência.
Painel com “trama metálica”: uma solução elegante
O painel usa uma trama metálica para “sumir” com as saídas de ar e deixar tudo mais contínuo. É um truque ótimo: o interior fica mais limpo, mais horizontal e com cara de carro de luxo.
Mas tem um detalhe curioso: os seletores para mudar o fluxo de ar têm uma “cabeça” com acabamento polido que, de relance, pode parecer uma lente.
A primeira impressão é que instalaram várias câmeras de vigilância interna no carro. Resultado: pode assustar os desavisados no primeiro contato (“isso aqui é o quê?”). Depois que entende, vira só parte do visual.
Acabamento: couro + madeira
A famosa faixa de madeira está presente e é um detalhe que o CR-V carrega há gerações. Nesse modelo, ela ocupa o painel inteiro e se estende para as laterais, amarrando a cabine num único gesto visual. Madeira (ou até mesmo textura que imita madeira) é algo raro de se encontrar em carros modernos. Felizmente a Honda decidiu manter essa assinatura do CR-V. Excelente decisão.
O revestimento em couro nos bancos não é ousado nem futurista, mas é coerente com o público do CR-V: conforto e sobriedade com um toque premium.
Teto solar panorâmico: status + sensação de cabine
O teto solar panorâmico elétrico é um daqueles recursos que mudam a percepção de cabine sem você precisar entender nada de design: entra mais luz, o interior parece maior e o carro ganha uma aura de categoria acima. É bobo? Não. É exatamente o tipo de detalhe que muita gente decide na hora da compra.
Tecnologia de interface: telas grandes, porém do jeito Honda
Aqui o CR-V acerta porque a tecnologia é “usável”, não só “instagramável”. É o básico bem feito, e isso vale ouro no dia a dia. Mas nem tudo é perfeito (principalmente em uma escolha específica da Honda).
Head-Up Display (HUD): a solução mais inteligente do pacote
O CR-V traz Head-Up Display, e esse é o tipo de tecnologia que você só valoriza de verdade quando usa no cotidiano. A velocidade (e outras informações) aparece projetada no para-brisa, então o motorista não precisa ficar desviando o olhar para o painel. É simples, elegante e melhora a experiência de condução sem fazer barulho. Tech útil de verdade.
Painel digital TFT de 10,2”: leitura rápida, cara de carro moderno
O cluster é um painel digital TFT de 10,2” e ele entrega exatamente o que se espera de um carro de 2026: leitura clara, visual limpo e aquela sensação imediata de “carro atual”. Além de modernizar o cockpit, ele ajuda a organizar a informação de um jeito mais racional, coisa que painel analógico nunca faz com tanta facilidade.
Central multimídia de 9”: tamanho ok, mas interface com cara de passado (e um detalhe irritante)
Agora vem, na minha opinião, a grande escorregada. A multimídia tem 9 polegadas, o tamanho é bom e está dentro do padrão da categoria. O problema é outro: o design da interface parece ultrapassado, como se fosse um sistema que não acompanhou o nível do resto do carro.
E tem um comportamento que, na prática, vira incômodo: a função que aciona a câmera do lado direito (LaneWatch) ao dar seta para a direita (sim, aquela mesma ideia que aparece no Honda New HRV). É verdade que ver essa câmera na multimídia pode aumentar a sensação de segurança, mas quando você está com a navegação aberta, ela entra por cima do mapa e atrapalha a navegação. Se você está seguindo o trajeto, precisa apertar o botão na própria maneta da seta para fechar a câmera e voltar ao GPS.
É aquele tipo de “feature” que tenta ajudar, mas acaba atrapalhando mais do que deveria. Com uma multimídia grande, a câmera poderia aparecer só em metade da tela. Pronto: resolvido.
Carregamento, som e conveniência
O CR-V traz carregador sem fio de 15W, e isso é daquelas tecnologias pequenas que viram hábito rápido. No dia a dia, significa menos cabo pendurado, menos tomada disputada e menos “onde eu coloquei o carregador?”. É um detalhe simples, mas que melhora a rotina de um jeito bem mais relevante do que parece no papel.
O sistema de som premium Bose entra na categoria “luxo que você sente”. E aqui vale uma observação de design: áudio também é experiência de produto. Quando o som é bom, o carro parece mais silencioso, mais refinado, mais premium. Você percebe em qualquer coisa (música, podcast, chamada) e isso muda a sensação de cabine.
E tem a parte mais prática: chave presencial e partida remota. Isso é conveniência real, do tipo que você usa sem pensar. Chegar, abrir, entrar e ligar sem ficar fazendo coreografia com chave já é o mínimo em um carro desse nível. E a partida remota entra como aquele bônus que vira queridinho em dias quentes ou frios.
Conclusão
Antes de fechar, tem um “detalhe” que não é design, mas seria desonesto ignorar: a motorização híbrida e:HEV. Segundo a Honda, o sistema roda priorizando a tração elétrica na maior parte do tempo, e isso ajuda a explicar um comportamento curioso (e bem real): o CR-V tende a ser mais econômico na cidade do que na estrada.
Nos números do PBE/Inmetro, ele faz cerca de 14,1 km/l no urbano e 11,8 km/l no rodoviário. Híbrido geralmente é assim: é no anda-e-para, com regeneração e mais tempo rodando no elétrico, que ele “brilha” de verdade. Na estrada, com velocidade constante, o consumo piora um pouco, mas ainda é bem aceitável pelo porte do carro. Pra um grandão, tá mais do que justo.
No fim das contas, o CR-V Advanced Hybrid é exatamente o que ele sempre prometeu ser: o “SUV sensato” da Honda, só que mais adulto. O design externo ficou mais robusto e premium, e o interior mostra uma Honda mais cuidadosa com continuidade visual e experiência: menos bagunça, mais linha horizontal, soluções elegantes e a madeira como assinatura bem usada.
E na parte de tecnologia, ele acerta quando é prático (HUD e painel digital são um acerto enorme), mas escorrega justamente onde deveria brilhar: a multimídia tem bom tamanho, porém uma interface com cara de passado e uma função de câmera que, do jeito que foi implementada, atrapalha mais do que ajuda.
Ainda assim, no pacote geral, o CR-V entrega um projeto coerente: sofisticado, confortável e com tecnologia que você realmente usa, não só aquela que fica bonita no papel.















