Qual a primeira coisa que lhe vem à mente quando ouve a palavra Jeep? Você também pensa em algo relacionado à aventura, terrenos desafiadores e natureza?

Com o Renegade, a Jeep vai até as raízes para resgatar o verdadeiro espírito da aventura. Com design mais quadrado e mais próximo aos primeiros Jeep’s militares, a montadora agrada quem busca um autêntico porém remodelado Jeep, sem abrir mão do conforto.

Durante alguns dias pude me considerar um verdadeiro “jipeiro” ao ter na garagem o Renagade Trailhawk com motor 2.0 turbodiesel. Será que o pequeno aventureiro agradou no design?

Design de raiz

Entre os consumidores da Jeep encontramos aqueles que buscam a modernidade na nova roupagem da marca, por assim dizer, e aqueles que procuram no design os traços clássicos e a personalidade autêntica de um Jeep.

Podemos dizer que o Renegade foi feito para agradar a ambos, mas especialmente os que pertencem ao segundo grupo.

O utilitário esportivo traz o DNA Jeep sem abrir mão da tecnologia e do conforto. E que tecnologia! Apesar do estilo mais bruto, o Renegade dá um show em segurança com itens como aviso sonoro e luminoso de ponto cego no retrovisor, lanterna auxiliar em curvas fechadas, entre outros.

Mas antes, vamos ao seu design.

A versão Trailhalk difere das versões mais urbanas do Renegade. A frente possui um ângulo mais aberto para enfrentar terrenos mais desafiadores e subidas íngremes. Em outras palavras: dá encarar a buraqueira sem dó. A frente não vai raspar.

Além disso, ele conta com os ganchos próprios para reboque que, cá entre nós, deram um estilo único para o carro.

O capô tem a faixa central preta, que, além da estética mais esportiva, diminui o reflexo do sol da lataria, melhorando a visibilidade. Afinal, design precisa vir acompanhado de função, não é mesmo?

Uma das marcas registradas do Renagade, o “X” na lanterna traseira, também aparece no farol dianteiro na versão Trailhawk.

A saia lateral preta que percorre todo o carro e se conecta aos para-choques ajudam na percepção de elevação em relação ao solo, além de servirem como proteção de pintura.

O espaço entre os pneus e a lataria carrega um estilo retangular herdado dos Jeep’s antigos que facilita a retirada de terra e barro do compartimento.

Quanto ao seu interior, era de se esperar menos sofisticação que seu irmão urbano Compass. Porém, o estilo mais bruto e menos elegante, não diminui a tecnologia presente em seus muitos botões, com diversas funções.

O ar-condicionado dualzone e os comandos bem posicionados no volante, além da central multimídia de fácil manuseio, apesar do tamanho considerado pequeno (6,5 polegadas), são itens que realmente fazem a diferença na experiência de direção.

O preto predominante se equilibra bem com os detalhes coloridos da versão que testei. Não é cansativo. Pelo contrário: traz ainda mais estilo ao seu interior.

Mais Easter-Eggs

No artigo sobre o Jeep Compass, destaquei alguns Easter-Eggs que os designers da Jeep esconderam em seu desigm. Com o Renegade não é diferente.

Se no Compass nós encontramos o monstro do lago Ness no vidro traseiro, o Renegade traz o lendário Pé-Grande e sua famosa silhueta.

No para-brisas encontramos uma singela homenagem ao Willys MB, considerado o pai de todos os Jeep’s, produzido entre 1941 e 1945.

Aliás, o termo “Since 1941” (Desde 1941) aparece de forma nada escondida acima da central multimídia.

O bom-humor dos designers da Jeep ao utilizarem os Easter-Eggs como forma de fortalecer a identidade aventureira e ao mesmo tempo homenagear a história da Jeep é sempre bem-vindo.

Existem outros detalhes escondidos em seu interior e exterior, mas não quero estragar a surpresa. Deixo para os donos de Jeep encontrarem e se surpreenderem por conta própria.

Em resumo, posso dizer que o Renegade não é um carro para todos. Seu estilo robusto e aventureiro irá agradar aqueles que buscam exatamente o espírito presente no DNA da Jeep.

Se existem defeitos? Sim. Quem procura espaço de sobra, por exemplo, irá estranhar o pequeno porta-malas e o nada espaçoso banco traseiro.

Porém, parece que a Jeep mirou em um público bastante específico, sem medo de desagradar alguns.

Uma atitude meticulosamente rebelde para um carro que não faz questão nenhuma de ser certinho.

Guilherme Dantas