Se os designers da Jeep tentaram passar a ideia de força, robustez e sofisticação, tenho uma notícia: conseguiram.

O Jeep Compass acerta em muitos detalhes de design e prova que características quase antagônicas podem andar juntas em perfeito equilíbrio.

O exterior raçudo

Chega a ser divertido dirigir o Compass e ver os outros carros saindo da frente sem eu nem precisar dar o famoso sinal de farol alto. Mas é compreensivo: ver essa “carinha” no retrovisor pode ser bastante intimidador.

Todo o design exterior do veículo foi criado para transmitir a ideia de força e vigor, o que a própria marca chama de “espírito Jeep”. Não percebi um único elemento externo que me passasse a sensação de fragilidade. Tudo parecia forte e robusto.

A famosa frente com sete aberturas, marca registrada do design da Jeep combina perfeitamente com sua grade hexagonal. Aliás, o hexágonos estão presentes em todo o carro. Até mesmo os faróis ganharam detalhes internos que conversam diretamente com a grade frontal.

O mesmo acontece com os faróis de milha e a grade inferior do veículo: tudo parece fazer parte de um mesmo contexto. Combina. É agradável aos olhos.

Sua traseira também transmite um ar sério, principalmente pelo desenho dos faróis,

A assinatura em LED também ajuda a criar a atmosfera robusta e ao mesmo tempo sofisticada.

Notei que também houve uma preocupação no desenho das rodas para não deixar que a sofisticação atrapalhasse o “espírito Jeep”. Formas grossas compõem o visual que parecem calçar perfeitamente o estilo aventureiro do veículo.

As linhas laterais criam uma leve sensação de movimento devido ao seu afunilamento. Até mesmo o formato quadrado da caixa das rodas foi inspirado nos Jeeps antigos: o formato facilitava a retirada de neve e barro do compartimento.

Interior sofisticado

É porta adentro que você quase esquece que está num carro de espírito mais bruto e robusto ao perceber o nível de sofisticação e tecnologia presentes. Mas eu disse “quase”.

Logo você percebe que a sofisticação se entende bem com a alma aventureira do SUV. Os elementos são bem equilibrados. O desenho do painel de instrumentos é prova viva disso.

O acabamento emborrachado em toda parte frontal é uma peculiaridade bem-vinda. A rede do lado do passageiro é um detalhe que não passa despercebido (só achei que o desenho deveria evidenciar mais o formato hexagonal).

A central multimídia é boa e um de seus diferenciais é a possibilidade de personalização: ela permite a troca do “papel de parede” da tela, que vai desde terrenos áridos até a própria textura emborrachada do painel.

Outro detalhe bem interessante é o fato de tanta vezes vermos a marca Jeep, tanto fora quanto dentro do carro: nos bancos, nos retrovisores, no volante, nas rodas, na frente e na traseira do veículo.

Em todo lugar que olhamos, lá está ela, reforçando a imagem da marca e nos lembrando que realmente estamos num autêntico Jeep.

O equipamento sonoro também surpreende. Alto-falantes da Beats são itens de fábrica e transitem a robustez até mesmo no som. A grade dos auto-falantes também possuem formatos hexagonais. Sim, pelo jeito eles pensaram em tudo.

Os divertidos Easter-Eggs

O bom-humor dos designers fica evidente nos easter-eggs (divertidos elementos escondidos propositalmente) do veículo.

Logo abaixo dos limpadores de para-brisa dianteiros é possível encontrar o desenho em relevo de uma salamandra, um animal com notável resistência, principalmente aos diferentes terrenos (e temperaturas) de seu habitat.

Na parte de trás, outro detalhe curioso: a silhueta do monstro do lago Ness. Talvez uma provocação ao espírito aventureiro, à busca por novas aventuras e desafios. Simpático!

O clássico símbolo da marca, que remete aos modelos antigos (dois faróis e as sete aberturas da grade) também aparecem algumas vezes no veículo. Mas dessa vez vou deixar que você, quando tiver a oportunidade, se divirta procurando.

Minhas impressões nessa semana que experimentei o Jeep Compass? Que ele é um grandão intimidador para quem não conhece, mas simpático para os íntimos. Um carro com muitos itens tecnológicos, mas com o pé no barro, nas raízes.

Em resumo,um veículo sofisticado mas com alma “jeepeira”.

Fotos: Isa Gonsales

Guilherme Dantas