O logo de uma empresa é o primeiro e, possivelmente, a mais importante peça que o designer irá criar para esse cliente. A partir dele que teremos a base para a criação das outras peças, junto com todas as outras informações pertinentes da empresa.

A criação desse logo passa por vários processos. Não vou aqui fazer um passo a passo desse trabalho, mas falarei de algumas dicas que, se bem aproveitadas, vão deixar o seu trabalho incrível.

Curioso? Então lá vai:

Entenda profundamente a marca que está criando

Sem esse primeiro item, nada a seguir fará sentido. Você precisa saber qual é a missão da empresa, seus valores, sua posição no mercado e tudo mais que achar pertinente para ter o máximo de informações possíveis para sintetizar em um único elemento (afinal, mesmo que o logo seja composto de símbolo e tipografia, ou apenas um ou outro, ainda é um elemento).

O briefing é essencial para conhecer bem a identidade que está criando, você é responsável por fazer as perguntas certas para ter as melhores respostas.

Pesquise a concorrência

Como vimos, entender a marca é essencial. Mas entender apenas o seu cliente é correr olhando para o chão. Você precisa ver o que já foi feito por marcas que compartilham alguma semelhança com a que você está criando, seja visual ou estratégica.

Essa busca é também o momento em que estará procurando por referências e também é quando você poderá excluir algumas ideias que possam estar parecidas demais com os concorrentes.

Esse item ajudará você a seguir ou não uma linha de pensamento. Isso não quer dizer que você precisa seguir a mesma ideia que os concorrentes da marca que está criando. Algumas das melhores identidades visuais justamente se destacaram saindo da curva.

Boa tipografia já é mais de meio caminho andado

Muitos clientes amariam um logo com uma tipografia única, manuscrita ou não. Mas não são todos os designers que são ótimos ilustradores ou tipógrafos. Não fique triste se você se encontra nessa categoria. É possível fazer um trabalho incrível com fontes prontas.

Muitas vezes gastamos muito tempo para achar a fonte ideal. Mas isso não é a toa. A escolha da tipografia é vital para um bom resultado e cada família tipográfica carrega suas características próprias.

A fontes sem serifa, por exemplo, tiveram seu boom justamente por serem fontes mais leves e limpas, normalmente, ganhando muita força na onda de logos minimalistas. Já outras famílias podem passar uma ideia mais tradicional, feminina, forte, etc.

Lembre-se que as ideias não precisam ficar sempre limitadas às regras. Se você conseguir achar um meio de utilizar uma fonte em uma situação levemente inusitada, mas que consiga passar a mensagem desejada, não perca a chance.

Mantenha simples e objetivo

Como disse agora, não são todos que vão conseguir fazer fontes manuscritas e rebuscadas, por exemplo. Às vezes simples formas e uma tipografia sem muita personalização pode, no conjunto da obra, fazer exatamente o que o cliente precisa.

Simples não quer dizer fraco e feito rápido ou de qualquer jeito. Veremos a seguir a importância de utilizar algumas regras para um bom aproveitamento de “formas simples” e conseguir um ótimo resultado.

Qualquer logo precisa passar uma mensagem. Se não for objetivo, pode ou passar uma mensagem errada ou não ter sentido algum.

Use proporções e estruturas definidas

Já mostramos vários exemplos em outros posts sobre a criação de símbolos através de círculos, usando proporção áurea, a importância das diagonais, regras de composição, entre outros exemplos.

Ao olhar uma imagem simétrica, automaticamente tendemos a acha-la mais bonita e refinada, muitas vezes sem saber explicar bem o porquê. Quando você utiliza grades e linhas de referência consegue criar essa simetria tão buscada e quando bem utilizada, o resultado fica muito bom, mesmo que visualmente “simples”.

Pepsi, Apple, Twitter, entre tantos outros. Alguns exemplos um pouco mais polêmicos que outros, mas todos que usaram proporções definidas podem ser um bom objeto de estudo.

Aproveite o espaço negativo

O mais legal de usar o espaço negativo (a área que, teoricamente, não foi preenchida com cor) é causar na pessoa que está vendo a marca a sensação de ter descoberto algo incrível. E é mesmo!

Essa técnica usada para esconder letras e símbolos pode passar mensagens subliminares ou óbvias, depende do objetivo da marca. É uma brincadeira antiga que sempre dá certo.

Falando em brincadeira, muitas vezes o espaço negativo esconde algo engraçado ou inusitado, que ajuda a criar uma maior empatia pela marca, atraindo clientes.

Domine a psicologia das cores e formas

Muitos já devem estar cansado de ler e escutar sobre a importância das cores. E não tem como não falar disso, principalmente quando elas tem tanto significado, como em uma identidade visual. Mas aqui destaco também a importância das formas e o que cada uma pode sugerir.

Existem diversas teorias sobre a utilização das formas e cores no design. No caso das cores, o que cada cor representa psicologicamente e o mesmo ao escolher a estrutura do logo, se mais circular, mais quadrado ou triangular.

Alguns exemplos clássicos para cor relacionam o uso das cores quentes, como o vermelho e amarelo para situações em que o designer quer passar uma mensagem mais dinâmica, forte, rápida, entre tantas outras características. Enquanto que as cores frias, como o azul e o verde remetem a paz, frescor, seriedade, etc.

Já no caso das formas, alguns exemplos clássicos são:

Círculos e elipses: Ao utilizar essas formas na composição do logo, você pode estar buscando uma mensagem mais positiva, algo relacionado com amizade, comunidade e parceria. Além do círculo ser considerado uma forma mais feminina.

Triângulos e retângulos: Por serem formas retas, demonstram mais estabilidade e praticidade, mas também balanço e simetria. Triângulos e quadrados (ou retângulos) tem algumas características diferentes entre si, mas tendem a combinar com cores quentes, pelos traços mais “fortes”, mas claro que isso quando a marca pede essa característica.

Conclusão

 

O processo criativo de uma identidade visual está longe de ser algo simples. Não serão apenas essas 7 dicas que vão fazer com que seu trabalho seja memorável.

Existem vários outros fatores que dependem de você – seu estudo, sua dedicação, seu momento – e seu cliente – vivência, gosto, identidade pré-formada, face da lua (brincadeirinha), etc.

Mas tudo que estiver sob nosso controle, precisamos aproveitar. Por isso acredito que essas dicas serão sempre muito úteis.

Julian Nunes
  • Will Ximenes

    Excelente matéria.