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Monitor gamer e monitor para designers: existe diferença?

Os assuntos podem parecer um pouco desconexos, mas acredite: estão muito mais próximos do que imagina.

De um lado, um jogador profissional de Counter Strike: Global Offensive (CS:GO), que treina para conseguir se classificar para competições. Do outro, um designer gráfico que está empenhado em um projeto para entregar o melhor para seu cliente.

As duas situações apresentadas parecem distantes, não é? Pois bem, mesmo que tenhamos uma tendência a pensar nisso, existe um detalhe que pode ser o mesmo nos dois casos: a presença do monitor gamer na mesa de trabalho.

Esse é um elemento que pode fazer toda a diferença para os dois públicos, com potencial de proporcionar muito mais qualidade e versatilidade ao que precisam fazer e, assim, resultar em um desempenho que atenda às suas expectativas.

Vamos entender qual é a relação dos designers com o tipo de monitor e como isso interfere em seu trabalho. Antes, porém, vamos saber exatamente o que é um monitor dessa categoria.

O que é um monitor gamer?

É um monitor cujas características são compatíveis com as necessidades dos jogadores, o que os permitem ter um melhor desempenho quando jogam e, assim, tem o potencial de impactar positivamente em seus resultados.

Ao olhar para um monitor gamer HD e um tradicional, pode parecer que eles são iguais ou bem parecidos para quem não entende muito sobre o assunto, mas basta rodar o mesmo jogo com as mesmas configurações em ambos para se deparar com as nítidas diferenças.

Basicamente, as principais características que eles devem apresentar são as seguintes:

  • Taxa de atualização (refresh rate): velocidade que o monitor atualiza a imagem na tela, a qual é medida em Hz (Hertz). Um monitor 144Hz é capaz de exibir uma nova imagem 144 vezes por segundo, por exemplo.
  • Tempo de resposta (MS): tempo necessário para que o monitor consiga transformar um pixel desligado (que exibe a cor preta) em um pixel com a cor branca. Quanto menor for esse tempo, melhor, pois traz mais agilidade ao monitor.
  • Resolução: quanto maior é a resolução, aumenta também o número de pixels, que são os pontinhos que formam as imagens, ou seja, a imagem fica melhor definida. Há anos, o padrão era 360p, passou a ser 480p, depois 720p (HD) e 1080p (Full HD), além do 1440p e do 2160p (4K) que temos hoje.
  • Tamanho da tela: ter um bom tamanho de tela significa espaço para jogar e se atentar aos detalhes, embora seja importante estar a uma boa distância do monitor para poder enxergá-lo por inteiro. Entre os tamanhos mais comuns para as telas estão as de 21”, 22”, 24” e 27”.
  • Tecnologias de painel: a TN (Twisted Nematic) é a mais comum nas telas e traz baixo tempo de resposta e alta taxa de atualização. A VA (Vertical Alignment) tem um maior tempo de resposta, mas boas taxas de atualização. A IPS (In-Plane Switching) se posiciona em um meio-termo, com tempo de resposta menor que a TN e maior que a VA. Por fim, a PLS é similar à IPS, porém com opções de calibração e recursos adicionais.
  • Contraste: essa é a relação da capacidade do monitor em exibir a cor mais escura e a cor mais clara, ou seja, quão mais brilhante é a segunda do que a primeira. Por exemplo, em um monitor com contraste de 5.000:1, a cor mais clara tem um brilho 5.000 vezes maior que a mais escura. Taxas maiores representam uma melhor qualidade nas cores exibidas.

Entre outros detalhes, esses estão entre os principais procurados em um monitor gamer e que, quando combinados, são capazes de proporcionar os melhores resultados possíveis para os jogadores.

O que um designer gráfico tem a ganhar com um monitor gamer?

Muita coisa. Da mesma forma que os profissionais de eSports e aspirantes a atingir esse patamar, os designers precisam de um monitor de excelente performance para que seu trabalho seja feito com a mais alta qualidade.

Além disso, várias das necessidades de um gamer são parecidas com as de um designer em relação ao monitor, o que significa que um dispositivo voltado ao público que joga também pode trazer bons resultados para quem trabalha com design gráfico.

Vamos falar sobre as mesmas características principais dos monitores gamer que vimos anteriormente, mas agora sob a ótica dos designers, de modo a deixar claro como o dispositivo é bom para os dois públicos.

Taxa de atualização

Essa é uma característica que impacta diretamente em quem trabalha com motion graphics, já que uma melhor taxa de atualização os coloca em uma posição privilegiada na hora da edição e finalização.

Porém, vale muito a pena ter um bom monitor 144Hz, já que ao comparar este modelo ao lado de um tradicional, de 60Hz, é possível ver diferenças até mesmo na movimentação do ponteiro do mouse, que se mostra muito mais fluido no primeiro do que no segundo.

Além disso, taxas de atualização elevadas cansam menos a visão, o que é um atrativo e tanto para quem precisa ficar longas horas em frente ao computador e não quer ter aquelas incômodas dores de cabeça no final (ou mesmo no meio) do dia.

Tempo de resposta

A segunda característica também tem impacto direto para quem trabalha com vídeos e motion graphics, já que traz uma melhor experiência ao editar os conteúdos, de modo que até os pequenos detalhes sejam visíveis.

A edição de imagens estáticas também tem a ganhar, já que será possível ver com maior agilidade as mudanças feitas, como na aplicação de filtros e modificação de outros recursos, embora essa possa ser considerada como uma mudança bem sensível.

Resolução

É aqui que as necessidades dos designers começam a encontrar as dos gamers de maneira direta. Um monitor gamer de alta resolução pode levar a qualidade do trabalho dos designers para as alturas (com o perdão do trocadilho).

Quanto maior for a quantidade de pixels da tela, mais ricos serão os detalhes em qualquer trabalho realizado, o que significa que o cliente também terá um melhor resultado em mãos.

Uma estatística interessante a respeito do assunto vem do statcounter GlobalStats, que reúne uma série de dados e números sobre a internet. De acordo com o site, as resoluções mais usadas em ambientes desktop no Brasil, entre os meses de julho de 2018 e julho de 2019, foram as seguintes, com a respectiva quantidade de pixels:

  • 1º: 1366 x 768 (38,7%) – 1.049.088
  • 2º: 1920 x 1080 (17,57%) – 2.073.600
  • 3º: 1440 x 900 (5,61%) – 1.296.000
  • 4º: 1600 x 900 (5,43%) – 1.440.000
  • 5º: 1536 x 864 (4,36%) – 1.327.104
  • 6º: 1360 x 768 (4,27%) – 1.044.480

Além disso, temos as resoluções QHD e 4K, que estão em franco crescimento e aparecem em alguns modelos de monitor ultrawide. Confira a quantidade de pixels de cada uma delas, sendo que a 4K conta com duas configurações diferentes:

  • 2560 x 1440 (1440p) – 3.686.400
  • 3840 x 2160 (4K ou 2160p) – 8.294.400
  • 4096 x 2160 (4K ou 2160p) – 8.847.360

Portanto, as telas Full HD (1080p) exibem quase o dobro de pixels dos outros tipos de telas mais usados, mas elas têm pouco mais que a metade de pixels das telas de um monitor 1440p. Já as telas 4K ou 2160p ganham de longe na quantidade de pixels.

Logo, quanto maior o número de pixels, melhor para os designers e também para os gamers.

Tamanho da tela

Quando os monitores CRT ainda eram comuns, o tamanho da tela ficava em torno de 14”, o que era suficiente para a época. Hoje em dia, porém, esse já é um tamanho relativamente pequeno, principalmente quando se trata de desktops, bem inviável para o trabalho de um designer.

O tamanho da tela do monitor também influencia diretamente em seu trabalho. Por isso, não é raro perceber em agências de marketing, empresas de design gráfico e mesmo em home offices que os monitores dos designers tendem a ser maiores que os usados pelos demais.

Isso se dá pelo fato de que eles precisam de um bom espaço para a organização de seu ambiente de trabalho, muitas vezes com vários projetos abertos de uma só vez ou devido às caixas de diálogo de cada ferramenta, para que uma não se sobreponha à outra e prejudique sua visualização.

Aqui, os designers também se equiparam aos gamers e, portanto, podem usufruir dos mesmos monitores, com tamanhos de 21” a 27”, para que trabalhem com conforto.

Tecnologias de painel

Quando falamos sobre esse aspecto dos monitores para os gamers, os recursos destacados foram do tempo de resposta e da taxa de atualização. Porém, os mesmos tipos de painel afetam outras características dos monitores relevantes aos designers, como as seguintes:

  • TN (Twisted Nematic): rápido e com boa taxa de atualização, mas não tão preciso em relação à renderização de cores, além de poder apresentar algumas distorções.
  •  VA (Vertical Alignment): melhor renderização de cores que os painéis TN, apresentam um bom custo-benefício pelos recursos trazidos.
  • IPS (In-Plane Switching): a escolha ideal para quem deseja precisão nas cores a partir de praticamente todos os ângulos, embora tenha uma menor taxa de atualização.
  • PLS (Plane-Line Switching): a opção mais parruda da lista, similar aos painéis IPS, porém com maior número de recursos e opções de calibração. Também são os monitores que tendem a ter o maior preço.

Ainda que as tecnologias dos painéis sejam as mesmas que vimos anteriormente, a aplicação do monitor gamer para um designer e um jogador são diferentes devido às suas peculiaridades.

Contraste

O contraste é determinante no design, já que a diferença das cores é fundamental para se atingir o resultado desejado com aquele trabalho, e é claro que ter um bom monitor ajuda muito nisso.

Monitores com uma boa capacidade de contraste permitem ao designer analisar com precisão as diferenças entre as cores, mesmo que essas sejam sutis, algo que é tecnicamente mais difícil em monitores em que esse recurso é limitado.

Gamers e designers: diferentes públicos, mesmos monitores

Existem algumas variações de acordo com as necessidades de cada um deles, mas é inegável que um bom número de modelos pode ser utilizado por ambos sem qualquer prejuízo em sua produtividade e eficiência, muito pelo contrário.

Como as duas atividades precisam de uma boa capacidade gráfica, é de suma importância que o monitor seja capaz de suportar essa demanda, o que influenciará diretamente na experiência obtida.

É importante destacarmos que ter um monitor 144Hz ou com outra taxa de atualização mais elevada que o convencional pode ajudar a descansar a visão e, assim, melhorar a qualidade de vida e, por extensão, até a saúde dos designers.

Ainda que a aquisição de um monitor de maior qualidade demande um investimento maior do que os modelos tradicionais, é certo que isso impacta positivamente no trabalho oferecido pelos designers, o que consequentemente os valoriza e ajuda no desenvolvimento de suas carreiras.

Por fim, para ajudar ainda mais, uma boa dica é investir em uma base articulada para monitores, o que permite que o ângulo de visualização do usuário seja perfeito, melhorando o reconhecimento das cores e também seu conforto.

Coloque o quanto antes a aquisição de um monitor gamer em sua lista de prioridades e investimentos na carreira. Assim, além de ter toda a qualidade técnica que precisa, você ainda poderá jogar no tempo livre para relaxar. Fala sério, quer coisa melhor?

Escrito por Guilherme Dantas

Fundador do Designerd, empreendedor digital, apaixonado por criatividade, carros, finanças pessoais e cinema. Arranhador profissional de violão nas horas vagas.

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